
Aprender a tocar violão, jogar handball e treinar ginástica olímpica, ter aulas de culinária, estudar ouro idioma ou, até mesmo, se aprofundar em uma pesquisa acadêmica. É assim, com as atividades extracurriculares, que crianças e jovens têm um complemento mais do que prazeroso no processo de aprendizado.
Fazer outro tipo de atividade fora do horário escolar é fundamental na educação e, ainda, representa uma diferença significativa no desempenho escolar. Para pedagoga Marília Rocha Lopes, os benefícios são percebidos em diferentes aspectos: ajuda a melhor a auto-estima e o desenvolvimento intelectual, emocional, social e físico. “As atividades extracurriculares são muito importantes porque agem como um estímulo ao jovem para praticar algo que é agradável. E os alunos que não estão muito bem no ensino regular também têm nessas atividades uma chance de aumentar a sua auto-estima”, explica a pedagoga.
A inclusão de atividades que não compõem a grade curricular de um curso é amplamente defendida pelos educadores. Há um consenso entre os profissionais de Educação que o papel das escolas é oferecer ao aluno o maior número de opções para que ele, com acompanhamento específico e apoio dos pais, consiga desenvolver diferentes habilidades. A orientadora educacional do Colégio Dom Aguirre, a psicopedagoga Rosana Pegoretti, destaca a importância dessas atividades dentro da escola. “Nada como aprender a tocar violão, teclado, flauta. A música é matemática pura. Isso ajuda o aluno a desenvolver inteligências diferentes da parte de linguagem e lógica”, ressalta a psicopedagoga.
Idade e quantidade certa
Sabemos que muitos pais têm consciência da necessidade de incentivar os filhos a praticarem atividades complementares. Mas qual é idade certa para a criança e o jovem administrarem uma responsabilidade? E a quantidade? Segundo Rosana, não existe uma idade específica para a criança iniciar uma atividade, porém é preciso tomar cuidado quanto a quantidade. “É um erro cultural criar uma agenda para os filhos”, afirma.
Segundo Marília, na idade da educação infantil, os pais devem incluir apenas atividades que tragam o estímulo aos pequenos, em que a escolha deve levar em conta a idade e a vontade da criança. “Até os 12 anos, a criança precisa de tempo para brincar e usufruir do convívio familiar. Apenas no ensino fundamental é que se trabalha com mais ênfase a parte cognitiva” completa Rosana.
A psicopedagoga lembra que alguns pais ficam ansiosos quando a criança completa 6 e 7 anos. A indicação nessas idades é que a atividade seja apresentada de forma lúdica e rápida, para que a criança não enjoe. “Os pais podem, por exemplo, colocar os filhos em cursos de balé, judô, expressões artísticas, mas no máximo meia hora por semana. É recomendado inserir outros complementos leves apenas a partir dos 12 anos, no máximo duas atividades físicas extras por semana. E que seja prazeroso”, conclui a educadora.
Cuidados com os excessos
As atividades extras cada vez mais são adotadas como recurso pedagógico, porém uma questão importante é evitar a sobrecarga. Quando praticadas em excesso podem trazer alguns prejuízos. Rosana adverte que uma rotina muito pesada pode resultar em cansaço, impaciência e ansiedade, e também refletir no rendimento escolar. Por isso, é imprescindível que os pais saibam respeitar os limites dos filhos. “Temos notado que as crianças sofrem de ansiedade muito mais cedo. Consequentemente, elas não conseguem desenvolver nada direito. Outro momento que deixa os alunos muito ansiosos é no período pré-vestibular”, conta a psicopedagoga.
Se por um lado o excesso de atividades extracurriculares pode ser prejudicial, a sua falta, especialmente no pré-vestibular, também pode trazer graves consequências. Segundo Rosana, é um grande desafio dos pais e educadores convencerem os vestibulandos da importância de manter as atividades extracurriculares. “Hoje, vemos que esses jovens podem desenvolver uma depressão séria por causa da ansiedade causada pelo desejo em ingressar no nível superior. Nesses casos leva-se tempo para que o estudante se reequilibre e perceber que a vida não é bem assim, que ele pode ir mais devagar”, ressalta.
Aos pais é recomendado que observem o comportamento dos filhos em casa e na escola e sempre mantenham o bom senso, para não pecar com a sobrecarga de atividades, como também com a falta delas.