
A disposição e a competência da sensibilidade feminina na recente cobertura jornalista, recontada adentro do olhar de uma jovem jornalista do interior de São PauloSorocaba
. Primeiro tempo: Bola no meio do campo.
A aparente seriedade da premiada jornalista Miriam Leitão na cobertura política dos telejornais, fez dessa caratinguense (MG) inspiração para garotas que passaram, então, a sonhar com a atividade jornalística. Um clichê, mas, enfim, porque você escolheu 'O Jornalismo'? “Gostava da Miriam. Ela é maravilhosa... inteligente”.
O elogio é daquela que um dia parou na frente da televisão e avistou para além de uma vitrine de vaidades: Jacqueline França, a sonhadora.
A jovem jornalista sorocabana de 27 anos se inscreveu, em 1998, no vestibular de uma universidade da cidade. O curso era realizado num prédio que fora seminário de padres, e lá ela descobriu todos os outros lados de um jornalismo “fascinante”. Era como música para a alma. Gostava de “tudo um pouco”: quando escrevia para revista... Ah queria trabalhar numa revista; quando corria atrás da notícia para o jornal da universidade... Ah queria trabalhar num jornal diário; quando preparava a voz para o programa de rádio... Ah queria trabalhar numa emissora de rádio. E trabalhou. Há pouco menos de dois anos descobrindo o mundo na universidade e a disposta estudante já fazia parte da equipe da extinta rádio CBN – atual “Boa Nova”.
Daí em diante, a música não parou mais. Apenas tocou em ritmos diferentes. Jacqueline desenhou e montou alguns jornais vagabundos – ou àqueles que não honram a subjetiva ética profissional – e viu, bem à frente dos olhos, os motivos que a jornalista 'Leitão' despertou quando ainda era garota: depois de provas e entrevistas, ela conseguiu um estágio de um ano numa emissora afiliada da Rede Globo de Televisão.
Segundo Tempo: A bola não importa mais. O jogo, agora, é o relacionamento “QI” (quem indica, para o “bom emprego”).
Afora da universidade, a música poderia parar de tocar. Então, é preciso manter bons relacionamentos; deixar uma boa impressão nos empregos por onde passa. É hora de correr rumo a outros mercados: Jacqueline França, a jornalista.
Formada em 2002, ela trabalha num jornal da cidade que acaba de transformar-se numa cooperativa. Tempos difíceis. Na comunidade jornalística da cidade começa a circular a informação da instalação de um novo jornal, ou melhor, do maior jornal que os 600 mil moradores de Sorocaba já conheceram.
Jacqueline, sempre disposta, procurou o nome cogitado para o cargo de chefia editorial do futuro periódico - um professor dos tempos que estudava no extinto retiro de padres. A concorrência era brava. Assim como ela, vários outros colegas do “seminário” também tiveram a mesma idéia e disposição. A equipe estava quase fechada, mas não se esqueça que, agora, o jogo é o relacionamento. “É difícil brigar contra”.
Um editor da emissora de tevê dos tempos do sonhado estágio conseguiu uma entrevista - já que o novo maior jornal de Sorocaba teria o mesmo presidente da afiliada da Rede Globo de Televisão na cidade. Uma pergunta.
- Você gosta de esportes?
- Sim.
Jacqueline realmente gostava de esportes, inclusive já conhecia as regras do futebol e sabia o que era um zagueiro, mas naquele momento ela “gostaria de qualquer coisa”. O editor desse segmento contratado pelo novo maior jornal de Sorocaba queria uma mulher em sua equipe: Jaqueline França, a única repórter esportiva de Sorocaba.
Fim do jogo. A jovem jornalista deixa o estádio Municipal Válter Ribeiro e segue no ritmo da nova e prazerosa atividade. Volta à redação. Lá ela não tem problemas por discutir futebol; nos campos e quadras da cidade o respeito fora conquistado. Jacqueline se orgulha por trabalhar num jornal que “não tem rabo preço”, apenas pouco espaço – o periódico tem formato reduzido, o berline. “Trabalho até as duas da manhã e saio feliz”.
Jacqueline é uma mulher moderna. Tênis, calça jeans e blusinha básica - com alguns paetês. O perfil da jovem jornalista – descrito, certa vez, por um de seus professores de Jornalismo, num canto qualquer da cidade - é simples: elegância, beleza, conhecimento e competência. Vaidade em apenas escrever. Ela adora crônica. E escreve.
Confira a divulgação no site da Univesidade de Sorocaba.