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» Editora Cultura das Américas, revista BlogSeg
(Empresa no segmento de Seguros e Entretenimento, localizada em Sorocaba/SP)
De setembro de 2007 a março de 2008
Função: Repórter.
Atividades desenvolvidas: Produção de reportagens para a revista BlogSeg, voltada para a área de entretenimento.

O campo é de Pelé... já a bola, do Tio Sam



O campo já é familiar para os amantes do futebol brasileiro. Retangular, duas traves - sem redes - em direções opostas colocadas sob a grama, não muito bem aparada. As marcações, como a do pênalti ou o centro do campo, se apagaram. Porém, neste momento, elas não são mais tão necessárias. O único time de futebol americano que treina no campo do estádio "Humberto Reale" faz suas próprias delimitações. Cones e fitas zebradas são usadas para marcar as laterais. A trave do nosso tradicional esporte continua por lá, mas a admiração pelo futebol americano fez com que ela passasse para o banco de reserva.

Essa inesperada atitude foi tomada pelo primeiro e, até então, único time de futebol americano da região, o “Sorocaba Vipers São Bento". Apesar de pouco conhecida, a equipe existe há mais de um ano e já conquistou o primeiro lugar do Torneio Integração e da Taça Brasil de Flag, disputado nos dias 4 e 5 de agosto, no Rio de Janeiro.

O Vipers é o primeiro colocado da divisão oeste da Liga Paulista de Futebol Americano e Flag (LPFA), posição conquistada sem que eles tenham perdido uma única partida. Pela excelente campanha da equipe sorocabana e com a intenção de divulgar o esporte no interior foi sediada na cidade, no dia 25 de novembro, a rodada final de classificação da LPFA. A Faculdade de Engenharia de Sorocaba (FACENS) cedeu o campo para o time, que jogou cinco partidas no mesmo dia.

Segundo um dos fundadores do Vipers, Douglas Bete, o brilho da equipe se destacou ainda mais quando, no dia 27 de maio, eles conquistaram seu melhor resultado em campo: 50 x 2 contra o Toros Football. “Duas semanas depois, nós jogamos novamente contra o mesmo time e ganhamos de 60 x 0” disse orgulhoso.

Apesar da falta de patrocínio, os jogadores nunca desistiram das competições. O vice-presidente do time, Marcos Alexandre, conta que os jogadores compraram os equipamentos, como bolas e protetores, com o dinheiro do próprio bolso. De 800 a mil reais cada uniforme completo.

Felizmente, eles tiveram colaborações. Uma empresa paulista que fabrica o sheulderpead (proteção de ombro) facilitou o pagamento dos 17 pedidos: 5x sem juros. Outro apoio recebido é do tradicional clube sorocabano São Bento. O que sobrou do campo do estádio “Humberto Reale” foi cedido para os treinos do Vipers que, a partir de então, acrescentou “São Bento” ao nome do time.



Futebol e arte
Assim como em outros esportes, é raro o caso daqueles que conseguem sobreviver apenas desta modalidade, ainda mais porque o futebol americano é uma atividade pouco conhecida no Brasil.

Como o time sorocabano não tem retorno financeiro, nele encontram-se os jogadores das mais diversas profissões. Surpreendentemente, existe até um artista plástico. Rodney Andrade faz restaurações, ensina pintura em tela e, nos finais de semana, joga na defesa do time sorocabano. De segunda a sexta, ele dá aulas particulares em três galerias, mas, quando chega o sábado, só pensa no futebol americano. “Também sou lutador de jiu-jitsu e jogo o nosso futebol. Esses dois esportes são mais ou menos a mistura do futebol americano”, explica.

No início, Rodney sentiu as dificuldades no novo esporte, que não se baseia apenas na habilidade. “É um jogo de invasão de território, muito estratégico. Existe um jogador cuja função é apenas chutar. Ele não faz mais nada. Mas o seu chute pode resultar em um ponto que decide toda a partida”, define o jogador.

Foi através do convite de um amigo, para que ele participasse de um treino, que Rodney conheceu o esporte. “Participei do treino, me senti motivado e nunca mais saí”. O artista-jogador reconhece as diferenças entre as duas atividades e conseguiu construir uma ligação entre ambas. “Fiz um quadro com o desenho de um jogador de futebol da Liga Oficial Americana lançando uma bola. Pintei-o com a calça original, capacete e identifiquei na camisa o símbolo do Vipers”, disse Rodney referindo-se a arte.

História do time
A ideia de montar um time sorocabano de jogadores de futebol americano surgiu através do incentivo do apresentador de TV Everaldo Marques e do comentarista Paulo Antunes, da emissora ESPN. Eles estimulavam os telespectadores a montarem times de futebol americano e divulgavam as novas equipes em seus programas. Em junho de 2006, o cartorário Márcio Vieira ouviu dos apresentadores que existiam algumas pessoas na cidade de Sorocaba que estavam começando a jogar. “Tinham uns 10 jogadores no máximo. Nós íamos para brincar. Era como uma pelada” disse rindo. Eles treinavam no Centro Esportivo do bairro Jardim Simus e, em setembro daquele ano, o time cresceu.

Foi a partir de então que eles começaram a pensar na possibilidade de disputar campeonatos. Hoje, o time conta com 30 jogadores. Marcos conta que pretende montar, no próximo ano, uma segunda equipe de jovens com idades entre 14 e 17 anos. Para isso, ele pede a colaboração de empresários da cidade.

Para quem deseja conhecer e aprender a jogar futebol-americano, sem pagar nada, os treinos táticos acontecem nas terças e quintas, das 20h30 às 22h30, na pista de caminhada do bairro Central Park. Aos sábados, o time joga no estádio Humberto Reale, a partir das 15horas. Para os jogadores inscritos nos campeonatos será cobrada uma taxa mensal de R$20, para gastos com viagens.

O jogo

O Sorocaba Vipers São Bento disputa campeonatos na modalidade Flag Football. O desafio desse jogo consiste em avançar com bola até fim do campo adversário e somar pontos. A principal diferença dessa modalidade é a restrição de chutes e bloqueios. Por isso, não são obrigatórios os conhecidos equipamentos do futebol americano: capacete, luvas e proteção de ombro e peito. A única exigência da Associação Brasileira de Futebol Americano (ABRAFA) é a utilização do protetor de boca. Em vez de trombar com o adversário, como no futebol americano, no Flag basta remover uma fita amarela presa à cintura do adversário.