Pelo vigésimo quarto amigo no Facebook



Estava disposto a manter contato com uma indiana e um grupo de holandeses que conheci em um albergue no Rio de Janeiro, há três anos. Trocamos e-mails e voltei para casa mais do que feliz pela oportunidade de fazer novas amizades com os gringos. Escrevi para a indiana, que estudava nos Estados Unidos, pedindo algumas fotos do nosso grupo no Cristo Redentor. Revisei o texto centenas de vezes. Achei que seria uma gentileza pedir desculpas no final do e-mail pelos eventuais erros gramaticais, afinal meu inglês não é dos melhores.

Provavelmente, você que, assim como eu, é um pouco ligado em redes sociais teria tido uma atitude parecida e aproveitado para escrever uma pequena observação:
- P.S: Você tem Orkut?

Lembro que a resposta não demorou muito. Ela me enviou a foto, disse que estava bem, que havia amado o Brasil, que o meu inglês podia melhorar “very much” e que não tinha encontrado no dicionário Inglês/Português o significado da palavra “orkut”. “Como assim, Fiona?”, eu pensei em responder, já procurando no dicionário como se escrevia ogra ou algo parecido no idioma do Tio Sam. Sem brincadeira, “minha conexão caiu” quando li aquilo. Como é que ela não sabia o que era Orkut?

Na época, essa pergunta ocupou meus pensamentos e me esqueci de responder o e-mail. Logo no primeiro dia de trabalho, depois das férias, contei tudo para Sofia. “Não, sério, como você é bocó. Deveria ser mais ligado nas ferramentas online. O Orkut não rola nos Estados Unidos, só no Brasil”, comentou minha amiga de trabalho, com o mesmo nível de sensibilidade da indiana. Mas antes de continuar, é bom avisar, seguindo a explicação da Sofia, que o Orkut foi criado para o público norte-americano, mas a ideia não emplacou por lá – ainda hoje, está em 21º no ranking das redes sociais mais famosas do país.

Mesmo que indelicada, é bem verdade que a sugestão da Sofia era válida - deveria estar mais envolvido com as redes de relacionamento na Internet. Desses três anos pra cá, o Orkut, Myspace, Twitter e MSN mudaram, e muito, a forma de comunicação e o mercado profissional. Tornaram-se, ainda, eficientes ferramentas de marketing. Sofia sempre comenta de alguns cantores e DJs que conquistaram sucesso depois de disponibilizarem gravações na web – a cantora Mallu Magalhães, por exemplo, era apenas uma garota de 15 anos quando divulgou quatro músicas no seu Myspace, que passou, em pouco mais de seis meses, de 200 a 1 milhão de visitas. O NxZero fez caminho parecido (é, a modernidade não trás só coisas boas, viu Sofia?)

E se, mesmo assim, eu quisesse relutar contra os tempos modernos - até porque o meu negócio não é a música - Sofia teria outros argumentos na ponta da língua, pronta para mudar minha opinião.- Você sabe né, que a revista Época criou, no mês passado, uma página no Facebook (FB), onde é possível acompanhar o conteúdo exclusivo produzido por blogueiros, colunistas e repórteres? E eu ainda sigo o perfil da revista no Twitter (@RevistaEpoca).

Ok, Sof’s, você venceu! Diante das recentes e esclarecedoras informações sobre o papel dessas ferramentas de relacionamento, encerrei a conversa, até porque tudo começou devido a minha intenção de construir uma amizade virtual com pessoas de outras culturas. E naveguei nessa. Com a insistência da minha amiga, fiz o cadastro no Facebook - rede social do momento no mundo, com mais de 300 milhões de assinantes e, segundo relatório divulgado pela comScore, a mais visitada em 11 dos 17 países pesquisados na Europa.

“É André... ficando moderninho”, você deve estar pensando, né leitor? Ok, um pouco, confesso. Somos só eu e meus vinte e três amigos no Facebook. E não é que logo na minha página principal FB me dizia: “Encontre pessoas para as quais você mandou e-mails”. Uau, como é que ele sabia da indiana?

É... O recado do Facebook e a insuportável insistência da Sofia me fizeram lembrar do e-mail que devia para minha colega indiana. Mesmo que em péssimo inglês.