Da cultura do papel ao cyberespaço



Diferente de julho de 1997, quando a primeira turma do curso de Jornalismo trabalhava para o lançamento do Ensaio, este ano os futuros jornalistas da região de Sorocaba já buscam suas fontes sem ao menos saírem de seus quartos. MSN e Google revelam o nascer de um sol sem poente: é impossível voltar a fazer jornalismo com a "velha máquina de escrever".

As novas ferramentas tecnológicas utilizadas pelos jornalistas mudaram o ritmo de trabalho nas redações, agora, mais ágeis. Na TV, a tecnologia tem permitido a transmissão de informação em tempo, quase simultâneo, assim como se assistiu, em março de 2003, ao início dos bombardeios norte-americanos ao Iraque.

A expansão da internet possibilitou na recente história a divulgação de novas notícias em até menos de um minuto, como no site Último Segundo. Por outro lado, isso acaba por “envelhecer” as notícias do jornal impresso, divulgadas apenas no dia seguinte. Os assinantes do jornal Folha de S. Paulo, por exemplo, têm acesso às mesmas notícias do jornal impresso já no dia anterior - publicadas no site da UOL.

Com essa troca instantânea de informações em rede mundial o modo de fazer jornalismo mudou, permitindo também uma produção com pouco contato pessoal e uma ligeira pesquisa – ou, ainda, informar superficialmente. A velocidade dos veículos online e o maior custo do jornal impresso irão mudar a produção e, já mudaram, o consumo de notícia, inclusive nos jornais laboratoriais.

As expectativas de como o Ensaio transmitirá informação para os próximos dez anos, poderá ser a sua massificação através da internet. O Ensaio online, apesar de ainda não ser um projeto da universidade, seria, segundo a professora da disciplina "Novas Tecnologias da Comunicação" da Uniso, Patrícia Moraes Ribeiro, um meio de unificar as mídias universitárias - texto, áudio e vídeo - e expandir o público leito. Para Patrícia, a diferença de uma versão online estaria (...). Com uma possível adaptação do Ensaio para a internet, é plausível pensar em uma interdisciplinariedade envolvendo matérias práticas, teóricas e de tecnologias da comunicação.

Um dos "sonhos" do reitor da Universidade de Sorocaba (Uniso), professor Aldo Vannuchi, que logo poderá se tornar realidade é a impressão do Ensaio por uma gráfica própria. Para isso, Vannuchi acredita que possa ser feito a inserção "cuidadosa e criteriosa" do apoio publicitário de instituições que tenham referência à vida universitária. "Nenhum de nós pode viver sem hotel, sem automóvel, sem livro. Não seria desdouro nenhum se nós conseguimos propaganda de determinado café, shopping center".

Para o reitor, isso não tiraria o espaço de textos dos alunos, pois poderia ocupar dois ou três rodapés. Essa atual preocupação com o custo de um jornal impresso não seria tão marcante, no caso do jornalismo online, pois, segundo Patrícia, os custos nesse meio são mais baixos.

A venda desse espaço pedagógico é uma discussão nas instituições de ensino superior de Jornalismo. Para o professor e jornalista José Marques de Melo, citado pelo também professor e jornalista Dirceu Fernandes Lopes (ver entrevista página 6) no livro "Jornal Laboratório: do exercício escolar ao compromisso com o público leitor", alerta para o fato de que ao reproduzir o modelo comercia, o formando tem prejudicada a sua capacidade de se comportar criticamente na atividade profissional e não sendo capaz de criar, porque reproduz mecanicamente o modelo.

Uma das conseqüências dessa prática é a fácil adesão dos futuros jornalistas à ideologia dos meios de comunicação, ao invés de adotar uma postura ética, crítica e a serviço da sociedade. O Ensaio, até agora, trabalha com a idéia propagada por Lopes, no mesmo livro, em que os órgão laboratoriais devem ter caráter experimental, seja em termos de linguagem, conteúdo editorial e aspecto gráfico.