Apenas sobre o silêncio de uma história



Ontem à noite, num bar, durante uma cerveja e outra, um grupo de amigos conversava, num tom bem alto, sobre os seus futuros. Eles estavam na mesa ao lado. Era quase 20h e, entre piadas e lamentações, falaram de dinheiro, família, profissão, incertezas. Uma das moças comentou que não sabia se desistia da recém-iniciada graduação em Direito para aventurar-se no curso de Arquitetura. Não sei o nome dela – confesso que senti envergonha de demonstrar que estava, indiretamente, participando da conversa -, mas, como até rua tem nome, vamos chamá-la de Maria. Pode ser? Então, nada mais indelicado de minha parte, mas, já íntimo na discussão, na hora pensei:

- Qual decisão Maria deve tomar nesse momento da história? Porque nos perdemos no meio do próprio medo?

A trajetória da vida é assim tão esquisita. Muitas vezes, ela desfaz-se num piscar de olhos, com a mesma intensidade que o tempo, as ilusões e a música. Era quase 23h e Maria, desacostumada de sonhar, estava exausta de sobras e precisa se livrar do peso de si mesma. E ela começou jogando os sonhos - afinal, são eles os que mais pesavam.

E foi assim, diante dessa multidão numa única Maria, que lembrei do e-mail que havia recebido com as matérias da OutDoor Regional desse mês, com histórias de jovens “Marias” que batalham por sonhos: dos que competem nos Jogos Regionais do Interior (página 12), que escrevem em blogs fashion que criam tendência (página 15) e, ainda, de uma jovem e promissora cantora, a Samara Iacono, dos sucessos “Set Me Free” e “Destiny” – trilha sonora da novela “Caminho das Índias”, da Rede Globo (ver entrevista p. 21).

Samara, moderna e independente, não desiste de seu lugar ao sol. Maria, da mesa ao lado, também parece que não irá abandonar o seu, mas escolheu outros caminhos. Era quase 1h e sei lá... De repente, fiquei pensando até que ponto lutamos para trabalhar com o que nos dá prazer?

Maria e seus amigos percorreram o anoitecer a trocar ideias sobre o futuro. Deixei o bar sem conseguir tirar da cabeça as incertezas da garota que não queria mais perder tempo sonhando com o vento. De começos e recomeços, Maria e Samara estão aprendendo a viver melhor. Era quase 3h e percebo que, talvez, Maria não esteja tomando a decisão errada, está apenas desvendando as mágoas, tentando entender quem é e para onde quer ir... Ou ficar. Mesmo que, ao amanhecer, tenha ficado apenas com o silêncio de uma história, ainda, sem um grande final.